11.24.2010

"Vai mas é Trabalhar"

Porque as greves em Portugal têm tão má fama como o colega do escritório que passa o dia a jogar paciências e tresanda a vinho depois do almoço, há quem diga na rua: "Eles queriam era a greve a uma sexta-feira, disso é que eles gostavam." Eles: todos os calinas, os sabichões, os que metem baixa para ficar em casa a ver filmes, os que compram jipes para caçar e foder o ambiente, os que roubam, os que dão um jeitinho, os que só vêem bola na televisão, os que, por passarem tanto tempo no acto de coçar os testículos e olhar para o umbigo, só podiam ver a greve como uma oportunidade para não fazer nenhum. E nós não queremos ser "eles". Não veja esta greve como se fosse a lanzona com a reputação de um país como a Grécia. Que o protesto não seja apenas fazer serviços e transportes entrarem em colapso, que seja uma forma de mostrar que o nosso descontentamento não é sereno nem oportunista. Proteste como quem mostra que sabemos fazer melhor que isto. Que o dia de greve seja para limpar a garagem, perguntar na junta de freguesia se precisam de ajuda, explicar aos filhos que os frangos não nascem em pacotes, escrever cartas de protestos às empresas de telecomunicações, enfim, um dia para impedir a mão de coçar a braguilha e tirar os olhos do umbigo. Prefiro que o país perca dinheiro por causa desta greve a que o enfie nas derrapagens orçamentais ou nos bancos que faliram e que nos falham. Como disse um banqueiro: "Tudo tem um preço menos a honra." Aposto que estava a falar no dever de fazermos com que esta greve não seja apenas uma greve.

Hugo Gonçalves in "i"

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